A Nau Catrineta é um poema narrativo de tradição oral.
Almeida Garret foi um dos escritores que a escreveu, havendo muitas outras versões da aventura destes marinheiros portugueses...
Este poema narra a aventura de uns marinheiros que ficaram sem comida na nau em que regressavam a Portugal.
As NAUS eram barcos utilizados para transportar mercadorias. Eram construídas nas margens do rio Tejo, na Ribeira das Naus, junto ao Palácio Real, onde mestres carpinteiros as executavam sem a ajuda de planos ou de desenhos técnicos, supondo-se para que não fosse revelado o segredo da sua construção...
Algumas imagens de naus
Podes conhecer mais pormenores sobre as naus portuguesas assistindo a este vídeo.
Abre o teu livro e acompanha a narrativa da Nau Catrineta, na voz de Fausto.
Estas narrativas de tradição oral tinham várias versões, pois... " Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto!
Lê e ouve esta versão de Rui Veloso e Carlos Tê
Lá vai a nau catrineta que tem tudo por contar
Ouvi só mais uma história que vos vai fazer pasmar
Eram mil e doze a bordo nas contas do escrivão
Sem contar os galináceos sete patos e um cão
Era lista mui sortida de fidalgos passageiros
Desde mulheres de má vida a padres e mesteireiros
Iam todos tão airosos com seus farneis e merendas
Mais parecia um piquenique do que a carreira das indias
Ao passarem cabo verde o mar deu em encrespar
Logo viram ao que vinham quando a nau deu em bailar
Veio a cresta do equador e o cabo da boa esperança
Onde o velho adamastor subiu o ritmo da dança
Foi tamanha a danação foi puxado o bailarico
Quem sanfonava a canção era a mão do mafarrico
Tinha morrido o piloto e em febre o capitão ardia
Encantada pela corrente para sul a nau se perdia
Subia a conta dos dias ficavam podres os dentes
Eram tantas as sangrias morriam da cura os doentes
E o cheiro era tão mau e a fé tão vacilante
Parecia que a pobre nau era o inferno de dante
Com o leme sem governo e a derrota já perdida
Fizeram auto de fé com as mulheres de má vida
E foram tirando à sorte quem havia de morrer
Para que o vizinho do lado tivesse o que comer
No céu três meninas loiras cantavam um cantochão
Todas vestidas de tule para levar o capitão
No meio do seu delírio mostrou a raça de bravo
Teve ainda força na língua para as mandar ao diabo
Neste martírio sem fim ficou o lenho a boiar
Até que um vento gelado a terra firme o fez varar
Que diria o escrivão se pudesse escrevinhar
Eram mil e doze a bordo e doze haviam de chegar
Ao grande país do gelo com mil cristais a brilhar
Onde a paz era tão branca só se quiseram deitar
Naqueles lençois de linho a plumas acolchoados
E lá dormiram para sempre como meninos cansados
| (http://pt.slideshare.net/HMECOUT/almeida-garrett-biografia) |
João Baptista da Silva Leitão, mais tarde Almeida Garrett, nasceu no Porto em 1799, numa casa da velha zona ribeirinha do Porto, e morreu em 1854, na capital. Filho de um funcionário da alfândega da cidade e de uma portuense, o pequeno João cresce no seio de uma família burguesa com tradição comercial e proprietária […]
